terça-feira, 16 de março de 2010

Sermões de Santo Antônio

Prá quem nunca teve acesso, segue abaixo algumas informações sobre nosso Santo Padroeiro, Antônio de Pádua...

Um pouco de biografia

Santo Antônio nasceu em Lisboa (Portugal). Não conhecemos a data exata de seu nascimento. Comumente é colocada no ano de 1195. Porém, tanto os historiadores como os anatomistas que, no ano de 1981, analisaram os restos de seu corpo, antecipam de alguns anos, até 1188, a data do seu nascimento. Na pia batismal recebeu o nome de Fernando, que ele mudou para Antônio quando ingressou na Ordem franciscana.. Antônio, em grego, significa “Flor nova”. Por sua incidência religiosa e social, Antônio foi realmente uma flor nova, de grande beleza e fragrância. Seus Pais, Martín de Alonso e Maria, eram de família nobre e bem arranjada. A casa em que nasceu se achava ao lado da catedral. Freqüentou a escola da catedral, onde não só aprendeu a ler, escrever e fazer contas, mas também iniciou-se nas artes liberais do chamado trívio: gramática, retórica e dialética, e do quadrívio: aritmética, música, geometria e astrologia. Todo o ensino era ministrado em latim, que Antônio chegou a dominar perfeitamente, como também chegou a dominar a cultura humanística de Roma e da Grécia. Nos Sermões, o número de citações e referências a flora e a fauna revelam que Antônio gostava também das ciências naturais. Enquanto Antônio embebia seu espírito na sabedoria humana e cristã, sucediam fatos de grande ressonância política e religiosa. As batalhas de Navas (1212) e de Alcázar de Sal (1217) liberavam a Espanha e Portugal do domínio muçulmano. No ano de 1215, realizou-se em Roma o Concílio Lateranense IV, cujas duas finalidades principais eram a reforma da Igreja e a libertação do Santo Sepulcro. A pujante juventude de Antônio, adornada com dons intelectuais e morais, lhe prometia uma boa colheita de louros amorosos e profissionais. Porém, justamente quando se lhe ofereciam de bandeja todos os atrativos mundanos, sentiu em seu interior o chamado para uma entrega plena e generosa ao Senhor. Bateu às portas do mosteiro agostiniano de São Vicente, nas cercanias de Lisboa; porém, ao ver-se assediado por freqüentes visitas de familiares e amigos, pediu transferência para o mosteiro de Santa Cruz, de Coimbra, que era um prestigioso centro de espiritualidade e de cultura, de nível universitário. Ali Antônio pode freqüentar toda a cultura filosófica e teológica da época; sobretudo, se aprofundou na espiritualidade e no contato diário com a Sagrada Escritura e a Patrística. Acerca de sua cultura bíblica, todos os testemunhos o elogiam. Com sua poderosa inteligência, Antônio podia extrair o sentido pleno do texto sagrado, com sua memória tenaz podia recordá-lo, citando, quando queria, livro e capítulo, e com sua capacidade de síntese, conciliá-lo com muitos aspectos da mensagem cristã. Era tão grande a admiração que os contemporâneos tinham pelo conhecimento e da paixão pela Bíblia de Antônio que costumavam dizer que, se se perdessem todos os livros da Sagrada Escritura, teria bastado a memória do Santo para reescrevê-los. Antônio esperava encontrar em Coimbra um mosteiro que fosse um ninho de fraternidade, um oásis de paz e um estímulo para o apostolado; em vez disso, encontrou-se em meio a situações muito turbulentas. As intromissões do rei, que gozava do direito de patronato, e uma série de desordens e de indisciplinas criaram-lhe não poucas tensões. Parece que Antônio, tanto por seu caráter como para dar conta de seus estudos prediletos, se manteve a margem dessas decadências humanas.

Na esteira do Poverello

No ano de 1219 chegaram a Coimbra cinco irmãos franciscanos que dirigiam-se ao Marrocos como missionários. Antônio, como hospedeiro, os acolheu e desde o começo se sentiu tocado pelo exemplo de humildade e pobreza que viu neles. Em 29 de janeiro de 1220, os cinco franciscanos sofreram o martírio e seus despojos foram trazidos, como relíquias, ao mosteiro de Santa Cruz, onde receberam honras solenes. Os ideais missionários e o sangue desses cinco franciscanos foram um chamado profundo ou, melhor, uma inspiração, para Antônio, o qual, desejoso de imitá-los, solicitou permissão para deixar os agostinianos e passar para os franciscanos. Na Ordem Franciscana chegou a ser ministro provincial e também foi o primeiro professor de teologia.

Frei João Mamede

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